segunda-feira, 9 de junho de 2014

Ponto de Vista - da autora Brasileira C.F -

                                                       Ponto de Vista


                                        Garota curiosa, de ideais não vividos
                                        Observava o casal recém descoberto
                                        E o contraste entre seu sonho e aquela realidade

                                        De longe sentia o tempo que desperdiçavam
                                        Tempo de se amarem, de trocarem sorrisos...a leveza d´alma

                                         Distantes estavam de si mesmos
                                         E mal perceberam a força que os levou
                                         Para aquele redemoinho...que eles mesmos inventaram.

                                                                                       C.F.

A diferença entre nós

                      A diferença entre nós


você tenta anular essa diferença que há entre nós me cercando
porque morre de medo de ver a imensidão das planícies e montanhas.
mas eu não sou como você,
pois adoro as formas e cores dos vales,
os arabescos das árvores;

me chama de egoísta e arrogante
e me acusa de querer ter a terra toda sob minhas asas
quando a bem dizer
é você que mal pode se conter
ao colocar os olhos na minha penugem
com a extensão das minhas plumas.

pare de tentar me apequenar à sua medida!
a diferença entre nós se revela no abismo:
você enxerga no abismo um abismo entre você e o horizonte,
por isso se detém diante dele,
enquanto que eu
abro minhas asas
reinando nos céus

ao passear nos céus com os olhos
é prazeiroso como um passeio no horizonte,
mas para mim não existe alegria maior
do que quando vejo que subi o bastante
para me lançar no azul.

nada sei sobre abismos,
mas não adianta tentar explicar
pois a cada vez que você o faz
menos interesse eu encontro,
pois sempre se mostram uma jaula ridiculamente pequena.

não sei nada sobre esse perigo e esse limite,
de que tanto fala
não me sinto distante do horizonte,
antes me sinto com ele um só,

                                           J.H. Ström em 08/06/2014

EDITORIAL 09/06/2014

                                                                  EDITORIAL 09/06/2014

                                                                   CARTA de J.H. Ström

Prezados leitores deste blog, reproduzo aqui, na medida do vosso interesse, a última carta do Sr. Jörgen, depois da qual o nosso contato ficou dificultado pela tempestade que abateu a região onde ele reside.

(traduzido do sueco ) (...)Cara Sophia, sei que já passou situações difíceis devido à inconstância de minhas correspondências. Infelizmente não é sempre que minha safra dá os melhores frutos e o meu público é o mais exigente  possível, então eu não posso me dar ao luxo de não desprezar o menor amargor, a cada remessa de cultura literária; a vida numa choupana, ainda mais nestas regiões frias, também tem seus imperativos; e quando se é tão solitário, tem que dar ouvidos para a natureza, se não o seu corpo é vencido por todos os lados, na luta pela vida. Não vou me queixar do frio, que anda pior ultimamente: muitas vezes eu fico quieto, protegido por cobertores pífios, e deixo o vento zunir à vontade pois, se o teto desabar, de nada valerá eu ficar me contorcendo, revoltado contra o tempo. Para essa semana envio-lhe uma epifania de minha lavoura, ainda que modesta, contém o embrião dos seres mais nobres que habitam a terra:
                                            
                                                    "a diferença entre nós se revela nas depressões:
                                                     você se detém diante delas porque enxerga um abismo
                                                     eu nada sei sobre abismos
                                                     eu me lanço nelas e abro minhas asas"


 seria bom também publicar o poema com que uma conhecida minha me surpreendeu muito, por sua excepcional autenticidade, além de não ser ruim artisticamente, pois sua rima ficou colocada de maneira que soa confortável para os ouvidos"

A publicação do poema inédito "A diferença entre nós" e do Poema de uma amante das artes, brasileira, de iniciais C.F.

a editora Sophia de Öregrund

terça-feira, 3 de junho de 2014

Estréia do novo blog!

                                Música de Gavetas


( este é o poema com o qual comemoramos o surgimento deste novo sítio virtual )

            Que é poesia?
            demorei pra ententer...
            O meu poeta estava com um aspecto doentio,
            eu o abandonei à própria sorte;
            às vezes parava de tocar por alguns meses
            desenhos, não mais...
            mais de uma vez

            Foi quando descobri que cada ínfima experiência,
            cada pisada em falso,
            cada coisa que eu queria esquecer
            eram alimento para meu poeta.
            Cortar sua cabeça?
            isto é lhe dar cuca fresca...

            Agora,

            eu queria descobrir,
            quem foi o desgraçado
            a dizer que poesia equivale à felicidade!

            Felicidade é isto?!

            Sejamos felizes no inferno!

           Quantas vezes quis repousar nos braços da plenitude

           mas tudo o que encontrei foi uma poltrona 

           feita de ossos aos pedaços,
           uma canção maravilhosa a ricochetear em meu crânio,
           poetizando febrilmente a biblioteconomia da minha cachola
           um abre-e-fecha de gavetas incessante!
           Onde é que essa poesia acaba,
           se já estou doido, a ouvir música de gavetas?

 
                                                                                                               por J.H. Ribeiro 31/05/2014

Instantes XVII

    Instantes XVII

                         Dançam os corpos nus a se enroscarem
                         corpos vivos, de passagem
                         buscando exaltar o simples e belo
                         e esquecer o que simplesmente não é belo

                         Aí me vejo só,

                         envolto em desamor
                         absolutamente entediado,

                         como se eu nunca tivesse lido um livro sequer
                         não tivesse uma história boa pra contar
                         nada que valesse o instante vivido

                                                                                     J.H. Ribeiro

Instantes XVIII

                                        
Instantes XVIII 

     Não gosto de nada.     
 o gosto se vai antes do fim da descoberta
e o brilho é artificial, ou já se foi.


Cansei das melodias
e das formas também
mas me recuso terminantemente
a usar uma coleira salutar;
isso parece não fazer sentido
mas faz tanto sentido,
como quando mais vale o tira-gosto

                                         J.H. Ribeiro